Em 2025, foi anunciado o projeto de duplicação da Rodovia Francisco Alves Negrão — a SP-258 — no trecho urbano de Itararé (SP). Antiga reivindicação de políticos e da população, a obra, orçada em mais de R$ 70,2 milhões, segundo matéria de 04/08/2025 da Agência de Notícias do Governo do Estado de São Paulo, teve início no mês de setembro.
De acordo com o projeto, a duplicação ocorrerá no sentido interior–capital, dando continuidade ao trecho já existente, desde a divisa do estado até o km 339, próximo ao Auto Posto Estradão, encerrando-se no km 338, onde está localizado o viaduto da Rodovia Aparício Biglia Filho. A mesma matéria destaca que “o projeto prevê a remodelação de um dispositivo de retorno com a criação de novas alças, a implantação de faixas de aceleração e desaceleração, a duplicação de dispositivo de passagem inferior, a sinalização vertical e horizontal, a instalação de elementos de segurança e um novo sistema de drenagem”. Desde então, a intervenção tem sido amplamente celebrada nas redes sociais e exaltada por personalidades políticas como essencial ao desenvolvimento de Itararé e do Sudoeste Paulista.
Entenda o caso
A SP-258 é uma rodovia estadual de aproximadamente 110 quilômetros, iniciando-se em Capão Bonito/SP e cruzando diversos municípios até seu término em Itararé/SP. O trecho completo — Capão Bonito a Itararé — sempre recebeu atenção negativa devido à elevada ocorrência de acidentes graves, que ceifaram inúmeras vidas. Com poucos pontos de faixas adicionais, a rodovia possui trechos urbanos totalmente duplicados nos municípios de Capão Bonito e Itapeva, restando, até o momento, apenas a conclusão da duplicação em Itararé.

O que a obra atual realmente revela
Ao analisar a movimentação no trevo, percebe-se um cenário pouco discutido publicamente. Assim como ocorreu na recém-inaugurada obra em Itapeva, o viaduto do dispositivo não sofrerá alterações significativas, e a passagem inferior da SP-258 continuará em pista simples, de mão dupla. Isso revela que não há perspectiva de continuidade, em curto ou médio prazo, da tão prometida duplicação integral.
O trecho em remodelação é pequeno, tem baixo índice de acidentes e não representa impacto proporcional ao valor investido. Surge, então, o questionamento: por que aplicar recursos tão elevados na remodelagem do trevo sem adequá-lo para uma futura duplicação? Seria esse o indício de que não se espera, ao menos brevemente, a verdadeira duplicação do trecho urbano de Itararé, que deveria se estender até o km 335, na entrada do Distrito Industrial, ou ao menos até o km 336, região conhecida como Ponte Seca?
Conclusão
Não se trata de mera conjectura, mas de uma análise que escapa ao entusiasmo político. A falta de preparo estrutural para a continuidade da obra reforça a percepção de que o anúncio da duplicação foi, mais uma vez, um engodo — e, sendo mais crítico, um verdadeiro estelionato eleitoral.
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