Ceilândia

O casal de nordestinos patrimônio de Ceilândia

Nailma e Francisco vendem lanches no centro da cidade há mais de 15 anos.

De acordo com a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), aproximadamente 70% da população da Ceilândia é composta por pessoas nascidas na Região Nordeste. No final de 2019, o então governador em exercício à época, Paco Britto (Avante-DF), declarou a região administrativa como a Capital da Cultura Nordestina no DF.

Dois dos personagens dessa cultura são um casal de nordestinos que vendem lanches em um carrinho improvisado em Ceilândia Centro, próximo à Feira Central, considerada por muitos o principal ponto do patrimônio nordestino no Distrito Federal.

Nailma Bezerra, 47 anos, e Francisco Carvalho, 54, vendem salgados, bolos, cachorro-quente e sucos variados para os feirantes e funcionários das lojas da região. Eles acordam de madrugada para preparar os alimentos, partem para vender às 7h e retornam às 10h. À tarde, um novo período de trabalho começa às 15h e vai até às 19h, quando voltam para casa. “É desse trabalho que eu tiro o meu sustento”, conta Nailma.

Muitos dos clientes são antigos e comem no carrinho de ferro, com rodas de moto improvisadas, no qual Francisco carrega o seu “local de trabalho” todos os dias até a calçada que ele já considera como “sua”.

Com as vendas dos lanches, o casal consegue manter a casa alugada, próxima à Feira Central, e criar os dois filhos. Graças ao trabalho árduo, os dois filhos que estudaram em escolas públicas de Ceilândia se formaram e hoje moram sozinhos. O mais velho é funcionário de uma farmácia na Asa Sul, enquanto o caçula é estudante de Jornalismo na Universidade de Brasília (UnB). “Eu sinto o maior orgulho, eles têm o trabalho deles agora”, diz Francisco.

Nailma Bezerra nasceu em 1974 no município de Custódia, no sertão de Pernambuco. O marido, em 1967, em Altos, cidade próxima à Teresina, capital do Piauí. Analfabetos e motivados a achar melhores oportunidades de vida, os dois se mudaram para Brasília no início da década de 1990. O casal já está junto há 27 anos, tendo se conhecido em 1994 e concebendo o primeiro filho, Eduardo Henrique, no ano seguinte.

Assim que chegou a Brasília em 1990, Francisco trabalhou em uma fábrica de limpeza e, após 16 anos, decidiu vender lanches na rua. “Agora eu virei empresário”, brinca o piauiense. Nailma trabalhou com faxinas até as novas aventuras como ambulante. Pelo tempo de trabalho na rua e pelo carisma, eles já são tratados como ícones do local.

A rotina de vendas dos dois é, segundo Francisco, “muito corrida”. Sozinhos, eles precisam preparar os lanches, servir os clientes e receber o dinheiro. A vida dos ambulantes é cheia de desafios e de muito empenho para garantir que a venda de lanches no carrinho improvisado continue sendo o sustento do casal nordestino — como já é há mais de 15 anos.

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