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As mulheres com deficiência ainda não são vistas como sexuadas

A psicóloga Emily Verde fala dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres com deficiência, questiona tabus e traz caminhos para a inclusão sexual.

Os direitos sexuais e reprodutivos das pessoas com deficiência, especialmente das mulheres, não é prioridade quando falamos do tema. É o que diz a psicóloga Emily Verde, entrevistada do Portal RVS da Semana.

Na entrevista da Semana, ela fala sobre a importância da educação e inclusão sexual para que as pessoas com deficiência tenham acesso aos seus direitos. Fala ainda da vulnerabilidade das mulheres nessa condição e dos preconceitos e dificuldades enfrentadas por aquelas que desejam se tornar mães.

Emily Verde além de psicóloga é sexóloga, e atende mulheres em valores sociais na Clinica Libertè em Brasília.

A psicóloga Emily Verde fala dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres com deficiência, questiona tabus e traz caminhos para inclusão.

RVS- A mulher com deficiência, como ela é vista pela sociedade quando o assunto é direitos sexuais?Emily- No geral pessoas com deficiência convivem com a exclusão, o preconceito e o desrespeito. Mulheres com deficiência acabam sofrendo uma dupla discriminação: a do gênero e da deficiência.

RVS- As pessoas com deficiência sofrem quando o assunto é sexo?
Emily- A sexualidade feminina ainda é vista como tabu, diariamente encontramos meninas e mulheres que não sabem como funciona seu aparelho reprodutor e órgão sexual. Diante de uma deficiência o conhecimento é ainda mais limitado até mesmo para os profissionais da área de saúde, por não saberem sobre como construir sua sexualidade essas mulheres acabam ficando ainda mais vulneráveis a violências sexuais e obstétricas e privação do prazer sexual.

RVS- De que maneira essa mulher é encarada pela sociedade quando o assunto é sexo?
Emily- Não são! Mulheres com deficiência não são vistas como ativas sexualmente, quando uma cadeirante está grávida é encarada com olhar de pena ou espanto, e muitas relatam como é constrangedor serem vistas como “impuras” pela sociedade.

RVS- O quanto tem feito para a inclusão sexual? O que isso significa?
Emily- A abertura da nossa clínica foi pautada na necessidade de acolhimento a mulheres em suas diferentes necessidades, apesar de também acolhermos os homens e sermos muito bem acolhidas por eles, trabalhamos diariamente para que essas mulheres possam ser vistas como sujeito de direito e para que esses homens também possam trabalhar esse acolhimento respeitoso baseado nas nossas reais necessidades.

RVS- O que você associa esse senso comum?
Emily- Qualquer minoria é limitada ao senso comum, tanto que o nome ainda é “minoria”. Nós somos grandes e muitos, só não somos ouvidos.

RVS- Muita pessoas com deficiência estão nas redes sociais, e constantemente essas pessoas sofrem ataques, isso se atribuiu a que?
Emily- As redes se tornarem as janelas das agressões, pessoas diariamente usam seu tempo para denegrir, invalidar ou agredir qualquer pessoa que esteja sendo vista com a desculpa do “se expôs está sujeito a”. Quem se expõe está sendo avaliado, mas como seres humanos temos o dever de não sermos cruéis ou juízes hipócritas.

RVS- Como fazer uma educação sexual inclusiva?
Emily- Com muito estudo, escuta e acolhimento qualificado e direcionado para as necessidades individuais e principalmente e respeito.

RVS- Para concluir, que mensagem você deixa para as mulheres nesta data tão importante?
Emily- Nós somos mulheres e não heroínas, não precisamos dar conta de tudo. Nossos direitos só serão validados se passarmos a utilizar nosso direito de fala e imposição diante de qualquer situação de risco físico ou emocional.

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